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Separação do continente africano está mais avançada: entenda

Publicado em 8 min de leitura

Em poucas palavras

Estudo de abril na Nature Communications mostra que o Rifte de Turkana, entre Quênia e Etiópia, tem crosta afinada para cerca de 13 km, indicando estágio mais avançado de separação. Outro estudo, de junho na Nature Geoscience, revela pulsos do manto sob Afar que controlam a abertura. O processo é natural e levará milhões de anos.

Vista aérea de uma fenda tectônica profunda cortando a paisagem árida do leste da África, entre Quênia e Etiópia
Vista aérea de uma fenda tectônica profunda cortando a paisagem árida do leste da África, entre Quênia e Etiópia

O que você precisa saber

  • Estudo de abril na Nature Communications mostra crosta com cerca de 13 km no eixo do Rifte de Turkana, indicando estágio avançado de separação.
  • Pesquisa de junho na Nature Geoscience revela pulsos do manto sob Afar que controlam a abertura do solo.
  • A separação é natural e lenta: o novo oceano pode levar de 5 a 10 milhões de anos para se formar.
  • A placa Africana está se dividindo em placa Núbia, a oeste, e placa Somali, a leste.
  • Cientistas ainda não confirmaram velocidade exata, países afetados ou influência humana.

Pesquisas publicadas em abril e junho mediram a crosta do Rifte de Turkana, entre Quênia e Etiópia, e encontraram algo que mudou a forma de olhar para o leste da África: no eixo da fenda, a crosta afinou para cerca de 13 quilômetros. Nas bordas, ainda passa de 35 quilômetros. Segundo o pesquisador Christian Rowan, da Universidade Columbia, esse contraste indica que o leste da África avançou mais no processo de rifteamento do que se pensava. Outro estudo, divulgado em junho, identificou pulsos de rocha derretida sob a região de Afar que controlam a abertura do solo. Calma: nada disso significa que a África vai se partir nos próximos anos. O processo é natural e leva milhões de anos.

O que significa dizer que a separação da África está mais avançada?

Significa que a crosta terrestre no eixo do Rifte de Turkana já afinou para cerca de 13 quilômetros, segundo estudo publicado em abril na Nature Communications. Nas bordas do mesmo rifte, a crosta ainda passa de 35 quilômetros de espessura, o que mostra o contraste entre o centro da fenda e as áreas ao redor.

O pesquisador Christian Rowan, da Universidade Columbia e autor principal do trabalho, afirmou que o leste da África avançou mais no processo de rifteamento do que se pensava. Segundo Rowan, o leste da África avançou mais no processo de rifteamento do que se pensava. Isso não quer dizer que o continente vai se partir amanhã. A escala envolvida é de milhões de anos, e as fontes disponíveis não confirmam prazos exatos.

O que é o Rifte de Turkana e por que ele é importante?

O Rifte de Turkana é uma fenda tectônica que corta o leste da África, entre Quênia e Etiópia. Ele faz parte do Rifte da África Oriental, sistema maior que está separando a placa Africana em duas: a placa Núbia, a oeste, e a placa Somali, a leste.

Segundo os pesquisadores, o Rifte de Turkana entrou na fase de afinamento extremo há cerca de 4 milhões de anos. É nessa região que os cientistas observam de perto como um continente se divide, com dados de espessura de crosta que servem de termômetro do processo.

Como a placa Africana se divide em Núbia e Somali?

A placa Africana está se fragmentando em duas: a placa Núbia, a oeste, e a placa Somali, a leste. O Rifte da África Oriental é a zona onde essa separação acontece.

Com o tempo, o processo pode dar origem a um novo assoalho oceânico quando o magma sobe, esfria e se solidifica. A divisão está associada ao afastamento das placas e à dinâmica do manto. A velocidade exata desse afastamento em centímetros por ano, porém, não foi confirmada pelas fontes disponíveis.

O que são os pulsos do manto sob a região de Afar?

São pulsos rítmicos de rocha derretida que controlam a abertura do solo na região de Afar, no nordeste da Etiópia, segundo estudo publicado em junho na Nature Geoscience. A geóloga Emma Watts, da Universidade de Swansea, no País de Gales, liderou a pesquisa.

O grupo analisou mais de 130 amostras de rochas vulcânicas coletadas no nordeste da África, combinadas com modelagens estatísticas avançadas. Os resultados mostraram um grande reservatório de material quente, conhecido como pluma mantélica, subindo de dentro da Terra.

O professor Tom Gernon, coautor do estudo, comparou o comportamento do manto a batimentos cardíacos e ao fluxo de sangue em uma artéria estreita. A metáfora descreve o comportamento do manto.

Qual a diferença entre os estudos de abril e junho?

Os dois trabalhos se complementam: um mede o quanto a crosta já afinou no Rifte de Turkana, o outro explica o motor profundo que empurra a abertura na região de Afar. Nenhum dos dois confirma velocidade exata do processo.

Estudo Região Método Descoberta principal Limitação
Nature Communications (abril) Rifte de Turkana, entre Quênia e Etiópia Análise da espessura da crosta no eixo e nas bordas do rifte Crosta afinada para cerca de 13 km no eixo, contra mais de 35 km nas bordas Não detalha a velocidade exata do afastamento
Nature Geoscience (junho) Região de Afar, nordeste da Etiópia Mais de 130 amostras de rochas vulcânicas e modelagem estatística Pulsos rítmicos do manto que controlam a abertura do solo Não confirma influência humana nem prazos precisos

Linha do tempo da separação da África

A linha do tempo reúne marcos confirmados pelas fontes. O que vem depois do presente é estimativa, não certeza.

  • Há cerca de 150 milhões de anos: início da fragmentação da Pangeia, que deu origem ao Oceano Atlântico, segundo o G1.
  • Há 30 milhões de anos: a placa Arábica começou a se afastar da placa Africana, criando o Mar Vermelho e o Golfo de Áden.
  • Há cerca de 4 milhões de anos: o Rifte de Turkana entrou na fase de afinamento extremo, segundo o Metrópoles.
  • Em 2005: uma fenda de 55 quilômetros se abriu no deserto da Etiópia.
  • Futuro: estima-se que o novo oceano leve de 5 a 10 milhões de anos para se formar, segundo declarações à NBC News.

O que aconteceu na fenda de 55 quilômetros na Etiópia em 2005?

Em 2005, uma fenda gigante de 55 quilômetros se abriu no deserto da Etiópia. O evento equivaleu a várias centenas de anos de movimentação de placas tectônicas concentradas em poucos dias, segundo a APLOP.

O episódio chamou a atenção dos cientistas para a velocidade dos processos geológicos na região. A fenda está ligada à dinâmica do Rifte da África Oriental e ao avanço da separação continental.

A separação da África pode criar um novo oceano?

Sim. A separação pode dar origem a um novo assoalho oceânico quando o magma do interior da Terra sobe, esfria e se solidifica. Acredita-se que esse oceano demore de cinco a dez milhões de anos para se formar.

O processo é parecido com o que aconteceu com o Oceano Atlântico, que nasceu da fragmentação da Pangeia. A região de Afar é ponto de encontro de três grandes fendas da crosta terrestre.

O mapa mental das três placas e dos três riftes

  • Placas envolvidas: Núbia (oeste), Somali (leste) e Arábica (nordeste).
  • Riftes que se encontram em Afar: Rifte da África Oriental, Rifte do Mar Vermelho e Rifte do Golfo de Áden.
  • Resultado desse encontro triplo: a região concentra a atividade que separa a placa Africana e afasta a placa Arábica.

Quais países serão afetados pela separação do continente africano?

As fontes disponíveis citam principalmente Etiópia e Quênia, onde está o Rifte de Turkana. A região de Afar, no nordeste da Etiópia, é diretamente afetada pelos pulsos do manto.

Não há confirmação sobre outros países ou cidades que seriam diretamente impactados. Informações sobre impacto econômico, agrícola ou de infraestrutura também não foram confirmadas pelas fontes.

A separação da África pode causar terremotos ou vulcões?

A região tem atividade vulcânica associada ao rifteamento. O estudo da Nature Geoscience descreve pulsos de rocha derretida que controlam a abertura do solo.

As fontes, no entanto, não confirmam risco de terremotos ou erupções de grande magnitude em curto prazo. Vale registrar que a cidade habitada mais quente da superfície da Terra fica em Afar, com temperaturas diurnas que costumam chegar a 54ºC e cair para cerca de 35ºC à noite.

O que os cientistas ainda não sabem sobre a separação da África?

Faltam respostas para várias perguntas centrais. A velocidade exata em centímetros por ano do afastamento das placas na região de Afar e no Rifte de Turkana não foi confirmada.

Também não se sabe se o processo pode ser acelerado por mudanças climáticas ou atividades humanas. A posição oficial de órgãos geológicos ou governos africanos sobre o fenômeno não foi divulgada nas fontes disponíveis.

As próximas etapas da pesquisa incluem compreender como e em que velocidade o fluxo do manto ocorre sob as placas, segundo Derek Keir, coautor do estudo. A probabilidade de o novo oceano se conectar ao Mar Vermelho ou ao Oceano Índico, e em quanto tempo, ainda não foi determinada.

Como acompanhar dados sísmicos e de satélite da região

O público pode recorrer a redes de monitoramento sísmico e a imagens de satélite para observar a região. Não há confirmação sobre um painel único e oficial para acompanhar o Rifte de Turkana ou Afar em tempo real.

Para entender o tema, acompanhe publicações das revistas científicas e dos grupos de pesquisa citados, como os das universidades Columbia e de Swansea.

Como identificar exageros em manchetes sobre a separação da África

Antes de compartilhar uma notícia sobre o tema, aplique estes critérios:

  • Verifique a escala de tempo: o processo leva milhões de anos, não dias ou anos.
  • Confira a região citada: os estudos focam no Rifte de Turkana e na região de Afar.
  • Desconfie de números específicos de velocidade sem fonte científica.
  • Lembre que os cientistas ainda não confirmaram vários detalhes, como impacto humano ou prazos exatos.
  • Prefira veículos que citam as revistas científicas e os pesquisadores envolvidos.

Resumo prático

A separação do continente africano está mais avançada do que se pensava no Rifte de Turkana, com crosta de cerca de 13 quilômetros no eixo da fenda. Em Afar, pulsos do manto controlam a abertura do solo. O processo é natural e lento: velocidade exata, países afetados e influência humana seguem sem confirmação. A escala de tempo é de milhões de anos.

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Perguntas frequentes

A África está se partindo mais rápido do que o esperado?

Estudo de abril na Nature Communications indica que o Rifte de Turkana está em estágio mais avançado de separação, com crosta afinada para cerca de 13 km. Nas bordas do rifte, a crosta ainda passa de 35 km. O processo, porém, segue em escala de milhões de anos, não de décadas.

Quanto tempo vai levar para a África se dividir em dois continentes?

As estimativas apontam dezenas de milhões de anos para a separação completa. O novo oceano pode levar de 5 a 10 milhões de anos para se formar, segundo declarações à NBC News. As fontes disponíveis não confirmam prazos exatos.

O que são os pulsos do manto sob a região de Afar?

São pulsos rítmicos de rocha derretida que controlam a abertura do solo, identificados em estudo de junho na Nature Geoscience, liderado por Emma Watts, da Universidade de Swansea. O grupo analisou mais de 130 amostras de rochas vulcânicas do nordeste da África com modelagem estatística.

Qual a diferença entre a placa Núbia e a placa Somali?

A placa Núbia fica a oeste e a placa Somali a leste, separadas pelo Rifte da África Oriental, que está dividindo a placa Africana. Com o tempo, o mar pode invadir a área e criar um novo oceano. A velocidade exata do afastamento não foi confirmada pelas fontes.

O que aconteceu na fenda de 55 quilômetros na Etiópia em 2005?

Uma fenda gigante de 55 quilômetros se abriu no deserto da Etiópia, equivalente a várias centenas de anos de movimentação tectônica concentradas em poucos dias, segundo a APLOP. O episódio chamou a atenção dos cientistas para a velocidade dos processos geológicos na região.

A separação da África pode causar terremotos ou vulcões?

A região tem atividade vulcânica e sísmica associada ao rifteamento, e os pulsos de rocha derretida podem influenciar erupções. As fontes, no entanto, não confirmam risco de terremotos ou erupções de grande magnitude em curto prazo.

Qual a velocidade do afastamento das placas tectônicas na África?

A velocidade exata em centímetros por ano não foi confirmada pelas fontes disponíveis. Os estudos focam na espessura da crosta no Rifte de Turkana e nos pulsos do manto em Afar, sem cravar um número preciso para o afastamento das placas.

Para ir à origem

Fontes consultadas

Consulte os materiais usados neste artigo. Os links abrem em uma nova aba.

  1. G1: África está se partindo? Estudo mostra como oceano pode dividir o continente
  2. Metrópoles: África está se partindo mais rápido do que o esperado, afirma estudo
  3. APLOP: O continente africano está a separar-se lentamente (e um novo oceano está a nascer)
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