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Curiosidades

Por que mulheres eram proibidas de dirigir na Arábia Saudita

Publicado em 7 min de leitura

Em poucas palavras

Não havia justificativa oficial única. A proibição vinha do sistema de tutela masculina, da leitura rígida da xaria ligada ao wahabismo e de costumes tribais. O decreto que a revogou é de setembro de 2017 e passou a valer em 24 de junho de 2018, quando o país deixou de ser o único do mundo a vetar mulheres ao volante.

Carro prateado parado sozinho numa estrada deserta da Arábia Saudita ao pôr do sol
Carro prateado parado sozinho numa estrada deserta da Arábia Saudita ao pôr do sol

O que você precisa saber

  • A proibição não tinha justificativa oficial única: vinha da tutela masculina, do wahabismo e de costumes tribais.
  • O decreto que acabou com o veto é de setembro de 2017 e entrou em vigor em 24 de junho de 2018.
  • Depois de 2018, outras travas da tutela continuaram valendo, como passaporte, viagem e casamento.
  • A participação feminina no mercado de trabalho subiu de 17% em 2016 para 37% em 2023.
  • Em 2023, 32 mulheres foram selecionadas entre 28 mil candidatas para dirigir trens-bala entre Meca e Medina.

A proibição de mulheres dirigirem na Arábia Saudita não tinha uma justificativa oficial única. Ela se sustentava em três pilares que se reforçavam: o sistema de tutela masculina, a leitura rígida da xaria associada ao wahabismo e os costumes tribais da península arábica. O decreto que anunciou o fim do veto é de setembro de 2017 e passou a valer em 24 de junho de 2018, quando o país deixou de ser o único do mundo a impedir mulheres de dirigir, segundo a ONU Brasil.

Por que as mulheres eram proibidas de dirigir na Arábia Saudita?

Não havia uma justificativa formal única do governo saudita para a proibição, segundo as fontes reunidas. O que existia era uma combinação de estruturas sociais e religiosas que tornavam a direção feminina impensável na prática.

Os três pilares eram:

  • Sistema de tutela masculina: exigia a permissão de um guardião homem para decisões centrais da vida da mulher.
  • Wahabismo: corrente dominante no país há dois séculos, impôs uma leitura rígida da lei islâmica, reforçada após a tomada da Grande Mesquita em 1979, conforme a BBC News Brasil.
  • Costumes tribais: a defesa da honra, chamada namus, moldava a visão sobre o papel feminino na sociedade, de acordo com a Wikipédia em português.

Dois conceitos aparecem com frequência nas fontes para explicar a segregação de sexos: o daral-fasaad, que seria uma blindagem contra a corrupção moral, e o adam al-kifaa'ah, a suposta falta de capacidade das mulheres. Nenhum deles é uma regra escrita no Corão sobre direção. São interpretações aplicadas ao cotidiano.

O que era o sistema de tutela masculina?

O sistema de tutela masculina obrigava a mulher a obter a permissão de um parente homem, como pai, marido, irmão ou filho, para diversas decisões legais e cotidianas. Na prática, a mulher dependia de um parente homem ou de motorista particular para se locomover, segundo a ONU Brasil.

A BBC News Brasil explica que o sistema controlava desde a emissão de passaporte até a saída da prisão após cumprir pena. A Anistia Internacional cobrou o fim da tutela após o decreto de 2017 e tratou o mecanismo como a raiz das restrições que continuaram valendo.

A proibição de dirigir tinha base no Corão?

Não há no Corão uma regra explícita que proíba mulheres de dirigir, segundo uma jornalista ouvida pela Wikipédia em português. Quando o texto religioso não trata de um assunto, o clero tende a torná-lo proibido por cautela. O banimento da carteira de motorista para mulheres é citado como o melhor exemplo disso.

A proibição vinha, portanto, da interpretação rígida da xaria pelo wahabismo, segundo as fontes, e não de uma regra explícita no Corão. A segregação de sexos era justificada pelo daral-fasaad e pela suposta falta de capacidade feminina, o adam al-kifaa'ah.

Linha do tempo: quando a proibição acabou?

O veto caiu oficialmente em 24 de junho de 2018, nove meses depois do anúncio feito por decreto real.

Data Marco
2015 Mulheres conquistam o direito de votar e ser votadas na Arábia Saudita (BBC News Brasil)
Setembro de 2017 Decreto real anuncia o fim da proibição de dirigir (ONU Brasil)
24 de junho de 2018 Medida entra em vigor e o país deixa de ser o único do mundo a vetar mulheres ao volante
2023 32 mulheres são selecionadas entre 28 mil candidatas para conduzir trens-bala entre Meca e Medina (G1)

O que mudou de fato para as mulheres sauditas depois de 2018?

Elas passaram a dirigir sem depender de parente homem ou de motorista particular, o que era a realidade antes da mudança, segundo a ONU Brasil. O impacto foi além da mobilidade.

A participação feminina no mercado de trabalho subiu de 17% em 2016 para 37% em 2023, conforme a G1. Em 2023, 32 mulheres foram selecionadas entre 28 mil candidatas para operar os trens-bala entre Meca e Medina, que percorrem 450 km em duas horas a até 300 km/h.

O avanço convive com distorções. A taxa de desemprego feminina era de 20,5% no ano anterior à reportagem da G1, contra 4,3% dos homens. Em 2016, antes da mudança, a Arábia Saudita ocupava a 141ª posição entre 144 países no relatório de desigualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial, segundo a Wikipédia em português.

Quais restrições ainda valiam após o direito de dirigir?

O direito de dirigir não derrubou o sistema de tutela. Diversas decisões continuaram dependendo da autorização de um guardião homem, como mostrou a BBC News Brasil.

Área Restrição que continuava valendo
Documentos Solicitar passaporte
Mobilidade Viajar ao exterior
Família Casar
Finanças Abrir conta bancária
Trabalho Iniciar alguns tipos de negócio
Saúde Passar por intervenção médica
Justiça Sair da prisão após cumprir pena
Judiciário Depoimento de um homem equivale ao de duas mulheres
Custódia Dificuldade para obter a guarda dos filhos após o divórcio quando meninos têm mais de sete anos ou meninas mais de nove

A Anistia Internacional registrou que o decreto criou um comitê para analisar a implementação da lei em 30 dias, mas não detalhava como a medida funcionaria na prática.

Quem foi responsável pelo fim da proibição?

O decreto real foi anunciado em setembro de 2017. A Anistia Internacional classificou o anúncio como um grande passo atrasado, resultado da campanha de ativistas por anos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, comemorou a mudança e reconheceu os esforços das mulheres sauditas pela conquista, segundo a ONU Brasil. A resistência residual existe: um peregrino entrevistado pela G1 defendeu que mulheres se concentrem nas tarefas domésticas, enquanto observadores citados na reportagem afirmam que a maioria da população apoia as mudanças.

Como foi a reação internacional?

A Anistia Internacional classificou o anúncio como um grande passo atrasado e cobrou o fim do sistema de tutela. A ONU Brasil informou que, antes da mudança, mulheres eram castigadas se fossem pegas dirigindo.

A Anistia Internacional cobrou o fim do sistema de tutela e destacou que o decreto não detalhava a aplicação prática da lei. António Guterres comemorou a mudança e reconheceu os esforços das mulheres sauditas pela conquista.

Mitos e verdades sobre a proibição

Muita confusão cerca o tema. Veja o que as fontes sustentam e o que não se confirma.

  • Mito: a proibição estava escrita no Corão. Verdade: não há regra explícita no texto sagrado; a justificativa vinha da interpretação religiosa e de costumes.
  • Mito: o fim da proibição resolveu todas as restrições. Verdade: o sistema de tutela continuou limitando passaporte, viagem, casamento e outras decisões.
  • Mito: a Arábia Saudita foi o último país do mundo a liberar mulheres ao volante. Verdade: era o único até junho de 2018, segundo a Wikipédia em português.
  • Mito: nenhuma mulher jamais dirigiu no país antes de 2018. Verdade: mulheres eram castigadas se fossem pegas dirigindo, mas o material não detalha casos concretos de punição.

O que não se sabe ao certo

Alguns pontos ficam em aberto nas fontes consultadas. O principal: não há explicação oficial do governo saudita sobre por que a proibição existia. As justificativas vêm de interpretações religiosas e costumes descritos por terceiros.

Também faltam dados sobre quantas mulheres tiraram carteira de motorista após junho de 2018. Não está claro se ainda é necessária autorização do guardião para tirar habilitação. O material não detalha como o sistema de tutela foi criado juridicamente nem se há previsão de revogação. E não há comparação com outros países do Golfo que já permitiam que mulheres dirigissem.

Resumo prático

A proibição de mulheres dirigirem na Arábia Saudita não nasceu de uma lei escrita no Corão nem de um único decreto. Veio do entrelaçamento entre tutela masculina, wahabismo e costumes tribais. O veto caiu com o decreto de setembro de 2017, válido a partir de 24 de junho de 2018. A mobilidade melhorou e a participação feminina no mercado de trabalho passou de 17% em 2016 para 37% em 2023, mas outras travas do sistema de tutela seguiram de pé. Para entender o tema sem erro, separe sempre três coisas: o que o texto religioso diz, o que a interpretação de uma corrente impõe e o que o costume local cobra.

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Perguntas frequentes

Por que as mulheres eram proibidas de dirigir na Arábia Saudita?

Não havia uma justificativa formal única do governo. A proibição derivava do sistema de tutela masculina, da leitura rígida da xaria associada ao wahabismo e dos costumes tribais da península arábica. Esses três pilares se reforçavam e tornavam a direção feminina impensável na prática.

Quando as mulheres passaram a poder dirigir na Arábia Saudita?

O decreto real que anunciou o fim da proibição é de setembro de 2017. A medida passou a valer em 24 de junho de 2018, quando o país deixou de ser o único do mundo a impedir mulheres de dirigir, segundo a ONU Brasil.

O que é o sistema de tutela masculina na Arábia Saudita?

É um conjunto de regras que exige a permissão de um guardião homem, como pai, marido, irmão ou filho, para decisões centrais da vida da mulher. Ele controlava desde a emissão de passaporte e viagens até casamento, abertura de conta bancária e saída da prisão após cumprir pena.

A proibição de dirigir tinha base no Corão ou na interpretação religiosa?

Não há no Corão uma regra explícita que proíba mulheres de dirigir. A proibição vinha da interpretação rígida da xaria pelo wahabismo e da cautela do clero em assuntos não tratados no texto sagrado, que tendem a ser tornados proibidos.

Quais restrições ainda valiam para as mulheres após 2018?

O direito de dirigir não derrubou o sistema de tutela. Continuava sendo necessário o aval do guardião para passaporte, viagem, casamento, conta bancária, alguns negócios, intervenção médica e saída da prisão. O depoimento de um homem equivale ao de duas mulheres e a guarda dos filhos é dificultada após o divórcio.

Mulheres já dirigem trens na Arábia Saudita?

Sim. Em 2023, 32 mulheres foram selecionadas entre 28 mil candidatas para conduzir os trens-bala entre Meca e Medina, que percorrem 450 km em duas horas a até 300 km/h, segundo a G1.

Quantas mulheres trabalham no mercado de trabalho saudita hoje?

A participação feminina subiu de 17% em 2016 para 37% em 2023, conforme a G1. A taxa de desemprego feminina era de 20,5% no ano anterior à reportagem, contra 4,3% dos homens.

A Arábia Saudita era o único país do mundo que proibia mulheres de dirigir?

Sim. Até junho de 2018, era o único país do mundo com essa proibição, segundo a Wikipédia em português. Com a entrada em vigor do decreto, deixou de ocupar essa posição.

Para ir à origem

Fontes consultadas

Consulte os materiais usados neste artigo. Os links abrem em uma nova aba.

  1. Mulheres conquistam direito de dirigir na Arábia Saudita (ONU Brasil)
  2. Arábia Saudita: apesar da demora, direito de dirigir é um grande passo para as mulheres (Anistia Internacional)
  3. 7 coisas que as mulheres sauditas não podem fazer mesmo após alcançarem direito a dirigir (BBC News Brasil)
  4. Direitos da mulher na Arábia Saudita (Wikipédia em português)
  5. Cinco anos após ganharem direito de dirigir carro, mulheres sauditas já conduzem trens-bala (G1)
  6. Proibição de mulheres ao volante deixa de vigorar na Arábia Saudita (Pena Estrada)
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